Clair Obscur: Expedition 33
Após 80 horas de gameplay e a conquista do troféu de platina no Game of the Year de 2025, sinto-me confortável para desenvolver esta análise e que ótima surpresa este título foi.
O jogo constrói uma atmosfera narrativa de forma gradual, revelando aos poucos sua história, a lógica e a função daquela realidade peculiar. Cada nova área, cada personagem e cada fragmento de diálogo contribuem para montar um quebra-cabeça narrativo que prende a atenção do jogador sem a necessidade de entregar tudo de imediato.
O contexto central da trama gira em torno de Maelle, e é através dela que o jogo explora a profundidade dos sentimentos humanos. Mesmo sem ser explícito o tempo todo, fica claro que há um peso emocional forte por trás dos acontecimentos, e que a relação entre fantasia e realidade é o fio condutor da história. O mundo dentro dos quadros, com toda sua beleza e exuberância, chega a causar certa estranheza, contrastando com as tensões mais duras que existem fora deles. Essa dualidade é, sem dúvida, o que confere profundidade ao enredo.
Outro ponto alto é a trilha sonora maravilhosa, que eleva cada momento com composições marcantes que se fundem perfeitamente à narrativa. O sistema de batalha, inspirado em combates por turno com elementos de timing, mantém o ritmo dinâmico e envolvente, remetendo a clássicos modernos do gênero sem perder sua identidade própria. A dublagem também merece destaque: as interpretações dão vida aos personagens e reforçam o impacto emocional da saga.
Embora a campanha principal siga um caminho mais linear, o jogo realmente se revela após os créditos, permitindo explorar o mundo com mais liberdade e absorver detalhes que antes passavam despercebidos. Esta estrutura pode surpreender, mas funciona muito bem dentro da proposta artística e temática da obra.
Em resumo, Clair Obscur: Expedition 33 entrega uma experiência estilosa, emocional e pintada cuidadosamente.