As águas-vivas não sabem de si
É debaixo d’água, onde a curiosidade fala mais alto, que descobrimos que a liberdade nasce da coragem de conhecer o desconhecido.
Submergir dentro dos sentimentos humanos, a ambição é o combustível essencial para descobrir além do que os próprios olhos podem enxergar.
No interior de uma estação submarina, uma equipe busca informações sobre a vida que existe abaixo do nível do mar. A curiosidade humana sempre foi, e sempre será, uma ótica para explorar e, quanto mais fundo se desce, maior é a chance de encontrar uma nova vida — é isso que os move. A proteção da estação, que limita a ambição de explorar, é o que os mantém vivos. Ali dentro, a tripulação também precisa lidar com a convivência.
A densidade da água é testemunha das conversas e das limitações humanas. Pelas janelas da estação, observa-se a tentativa de ultrapassar os limites do próprio corpo em busca de algum resquício de novidade que ainda não tenha sido visto. Como um observador silencioso, o oceano permanece ali, chamando a atenção pela sua própria presença.
Corina, uma mergulhadora profissional, bebe da fonte da curiosidade e não mede esforços para explorar águas cada vez mais profundas — mesmo que isso custe a própria vida — em busca de algo novo. Ela é limitada pela proteção da estação, mas, por dentro, sua ambição bate como a rebentação de uma onda.
Ao mergulhar nas profundezas, compreendemos que a liberdade não é a ausência de pressão, mas a coragem de permanecer nela. Assim como Corina, que confia na tecnologia de seu traje para encarar o abismo da curiosidade humana, sentimos que é a segurança que lhe permite viver essa liberdade. O traje é o instrumento necessário para enfrentar o desconhecido e, assim, aceitar que a vida é uma eterna margem entre o medo de perder e a necessidade de encontrar a imensidão.
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As águas-vivas não sabem de si
Romance de Aline Valek, publicado em 2019.