Mudar: Método

Em um ambiente que sufoca e molda identidades, mudar é cortar o elo com o passado e reinventar-se. A jornada de Eddy revela que toda ruptura é dolorosa, mas necessária para existir.

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Mudar: Método
Reflexo do céu — Foto: Caroline Veronez / Pexels

Diante do vazio e da pobreza, mudar, na maioria das vezes, é um ato de sobrevivência. Assim, acompanhamos a história do jovem Eddy, que decide iniciar uma pequena revolução em sua vida: abandonar quem foi para se tornar alguém que possa admirar — mesmo que, para isso, precise usar uma máscara para sobreviver.

O ambiente em que vivemos — em sua grande maioria — molda nosso olhar sobre a própria existência. O personagem social esconde quem somos, como sentimos e como reagimos. A pobreza funciona como combustível que potencializa os problemas de uma infância marcada pela masculinidade agressiva e pela violência social. Para um jovem sobreviver nesse espaço, conviver com as dificuldades é, muitas vezes, viver sufocado e esconder quem realmente é.

O convite para a fuga é sedutor, quase implícito diante das dificuldades do dia a dia A inquietude interior se torna necessária para romper, pouco a pouco, tudo aquilo que o mantinha preso dentro de uma identidade forjada. Seu único instrumento para iniciar a ruptura era a única ação disponível naquele momento: desenvolver o refinamento do conhecimento por meio dos estudos, buscando uma possível ascensão social.

Quanto mais observamos, mais conseguimos compreender as ações, as pessoas e os objetos que nos fazem estagnar dentro da própria vida. Foi preciso se afastar e olhar para dentro. O mergulho na própria consciência é o cerne da ruptura, é o que permite escolher as pessoas certas, nos momentos exatos, e os elementos necessários para construir a mudança e, até mesmo, trocar de identidade.

A culpa que sentimos ao racionalizar o abandono da base que nos formou é a sensação de trair quem já fomos. É como cortar o elo que nos ligava ao nosso eu anterior e aceitar que a mudança também é dolorosa para aqueles que amamos. O amargor que carregamos é o resultado de compreender que mudar é também viver e abandonar absolutamente tudo.

Mudar não apaga o passado, não elimina quem já fomos, mas deixa pequenos rastros do que existiu. Mudar não significa esquecer nossa origem, e sim aceitar que, ao longo da vida, utilizaremos inúmeras máscaras possíveis. Mudar também pode ser um ato de amor, afinal, mudar é evoluir e se tornar alguém que você possa amar cada vez mais.

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Mudar: Método
Romance de Édouard Louis, publicado em 2024.