The Legend of Zelda: Ocarina of Time

Entre Link, Navi e memórias da infância, Ocarina of Time se transforma em uma reflexão sobre nostalgia, afeto e a impossibilidade de reviver exatamente aquilo que o tempo levou.

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The Legend of Zelda: Ocarina of Time
The Legend of Zelda: Ocarina of Time (2026) — Imagem promocional oficial: Nintendo

O ato de imaginar que possa existir alguma maneira de visitar um ponto específico da nossa vida é algo fascinante. A ideia de que, se pudéssemos fechar os olhos por alguns instantes e voltar para uma época na qual tudo era diferente, hoje, usando os olhos do presente, poderíamos analisar o passado e sentir uma espécie de saudade com nostalgia que transborda nossos corações de afeto. Talvez os olhos que usamos hoje não sejam mais os mesmos daquele momento, no passado, o tempo passou por nós e nos mudou.

Sinto que o que mais se aproxima desta sensação é o que Link vive em Ocarina of Time. A capacidade de alternar entre o futuro e o passado é uma das habilidades que nós, meros seres humanos, adoraríamos ter — seja para visitar tudo o que já vivemos ou, ao menos, sentir a sensação de alguma coisa pela primeira vez novamente. Link pode experimentar isso: ter uma prévia de como será o amanhã e, ao mesmo tempo, aproveitar o passado com a bagagem daquilo que já testemunhou.

No vasto campo de Hyrule, enquanto Link e Epona cavalgavam entre um objetivo e outro, tenho comigo uma agradável lembrança de quando minha mãe me assistia jogar, na televisão de tubo, a versão de Ocarina of Time do Nintendo 64. Ali, minha mãe adorava ouvir o barulho da grama, o som emitido pelos galopes da Epona e como eu me divertia tentando chegar de um ponto ao outro. Neste instante, minha mãe de alguma forma revivia a infância dela, já que ela cresceu no interior, onde, por algum tempo, o meio de transporte era o cavalo, e a vida simples como ela era. Agora, esta lembrança é um momento que eu gostaria de poder viver novamente se pudesse voltar ao passado com uma boa ajuda de fantasia.

Outro sentimento de que algumas pessoas sentem falta é o de algum amigo ou amizade que só pôde existir ali no passado e que hoje, no futuro, não faz mais sentido. A amizade é algo recorrente na relação de Link com Navi, já que esta fada foi dada ao único menino do vilarejo que não tinha uma fada. Mesmo que o tempo passe e, às vezes, a vida não tenha sido gentil, algumas pessoas aparecem durante determinados períodos e acabam se tornando inseparáveis da memória daquele tempo.

Para mim, a grande importância de Ocarina of Time é a possibilidade de reviver um tempo que não volta mais e é atrelado à nostalgia. Podemos até fechar os olhos, puxar na memória, sorrir e lembrar de alguma coisa ou outra, mas precisamos reconhecer que não conseguimos reviver aquela sensação de verdade novamente. Podemos visitar, lembrar e até mesmo ouvir o mesmo som, mas não será a mesma sensação do que sentimos exatamente naquela vez no passado. Por fim, a saga de Link por aquele pequeno pedaço de tempo em um Hyrule qualquer, na verdade, é sobre aprender o valor daquilo que o tempo leva embora.

Trailer oficial:
O trailer de The Legend of Zelda: Ocarina of Time está disponível no canal oficial da Nintendo no YouTube.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time
Desenvolvido (aguardando o possível nome do estudio) e publicado pela Nintendo, lançado em 2026.